Let it go!

Vamos falar um pouco mais sobre maternidade e amadurecimento pessoal? Por favor, se tiverem sugestões e dicas sobre esse assuto, aceito todas!!

Senti necessidade de compartilhar com vocês que o velho jargão “seus filhos crescem e amadurecem e você também” é a mais pura verdade… Explico melhor:

Aqui na Austrália, mais especificamente em Sydney, a cada 10 semanas de aula as escolas entram 2 semanas de férias. Eles chamam essas 10 semanas de termo, ou seja, entre cada bimestre tem 2 semanas de férias. No recesso de natal iniciam-se as férias longas de verão, retornando no final de janeiro ou início de fevereiro. As atividades extra escolar, como natação, ballet, esportes, etc, geralmente, também seguem o mesmo calendário escolar. Que massa não é? Ter duas semanas para relaxar e brincar sem compromissos?? Eu queria voltar a ser criança aqui na Austrália… Mas agora pense nos pais?!! O que fazer com as crianças nessas 2 semanas, por quatro vezes no ano? Alguns pagam à escola, eles chamam de “vacation care”, para as crianças participarem de atividades esportivas e lúdicas, pois os pais seguem trabalhando e não tem como tirar férias sempre que a escola sai de férias… Outros se organizam com um grupo de pais para cada um cuidar de um grupo de crianças um dia da semana, enfim cada um se organiza do melhor jeito que pode para acomodar trabalho e crianças.

No meu caso, ainda consigo dar conta porque estou em casa com os dois. Mas parece que quando os dois estão em casa o dia todo tudo fica muito mais “crazy” e difícil, agora imagina por duas semanas?!! Na semana passada foi a última aula de ballet da Anita desse termo e, como de costume, a professora sempre faz “watching day” nessa aula. Ou seja, essa é a única aula que os pais podem entrar no estúdio e assistir seus filhos dançarem com a professora. Nesse dia eu tinha hora marcada na clínica para fazer minha sessão de laser que duraria apenas 5 min e na minha cabeça seria bem no horário da soneca do Matteo, então estava tudo dominado. Antes de sair de casa já estava tudo planejado; primeiro ballet, enquanto Anita dança eu brinco bastante com Matteo no jardim do estúdio e quando Anita estiver pronta Matteo vai estar cansado e pronto para a soneca e eu para meu horário na clínica. Só esqueci que os meus planos nunca dão certo com as crianças, principalmente quando tenho horário marcado. Sempre que tento fazer as coisas do meu jeito e no meu horário não tenho sucesso, no entanto, se eu seguir a rotina deles e aceitá-la, tudo vai bem… Pois então, para realizar meu plano, tive que preparar lanches, almoços, pensar em roupa extra após o ballet, trocas de fraldas, capa de chuva para as crianças e para o carrinho, pois tinha começado a chover… Arrumo os dois, dou café da manhã e mal consigo ir no banheiro, escovar os dentes e me trocar, quando vejo já são 9 horas da manhã (já penso, mas como se eu acordei as 6 horas da manhã? O que eu fiquei fazendo até agora? Mas bora lá senão vou atrasar ainda mais!) é hora de sair e não estamos prontos, a casa já está a maior zona, brinquedos espalhados, comida pela casa, fraldas, o caos!! “Rápido Anita, coloca os sapatos!! Matteo, senta no carrinho!!” Mas a pergunta é: Por que na hora de sair de casa é sempre tão difícil? Por que as crianças resolvem dar xilique, fazer bagunça, chorar e atrapalhar tudo que podem para você não conseguir sair de casa? Eu me sinto muito frustrada por não conseguir fazer coisas tão simples, como simplesmente abrir a porta, e sair?! Sério, por várias vezes nesse momento cheguei a chorar, uma mistura de frustração e raiva por perder o controle da situação…

Quando chegamos no ballet foi que me dei conta que era o tal “watching day” e meu cérebro já começou a pensar em todas as opções para mater Matteo por 40min parado no mesmo lugar… É praticamente igual a manter um ateu numa missa, possível é, mas eventualmente ele vai perder o foco daquilo e vai dispersar!! Dito e feito, consegui entrete-lo por 20min, mas os outros 20min foi de choradeira e tentando fugir da sala… Eu tentei o máximo para ele não chorar, pois atrapalharia os outros também, mas ele ja estava no seu horário de soneca e nada mais fazia ele parar, ele queria ir dormir no carrinho, mas se eu levasse eu perderia de ver o resto da Anita dançando… Saí da sala por algumas vezes para acalmá-lo e nesse momento eu percebi que Anita ficava me cuidando, para saber se eu voltaria, ela espiava para saber onde estava a mãe dela, pois a mãe de todas as demais estavam ali filmando e tirando fotos… Porém, em momento algum ela deixou de dançar ou de se divertir na aula e isso fez eu perceber que a minha criancinha está crescendo, está amadurecendo… Provavelmente deve ter pensado: “queria que a minha mãe visse eu dançar essa parte, mas entendo que o Matteo tá precisando dela agora”… quando eu voltava para dentro da sala ela abria o maior sorriso e vinha dançar bem perto de mim… Fiquei tão triste por não estar ali 100% do tempo para ela, como eu sempre estive… mas fiquei feliz por ver o amadurecimento dela com apenas 4 anos de idade. Pedi desculpas para ela por ter que sair tantas vezes da sala e ela ainda me surpreendeu dizendo “tudo bem, mamãe”. Nesse momento entendi que ser mãe me garantiu vários “poderes” mas ser onipresente e estar o tempo todo com meus filhos, não será possível… A gente quer proteger e assistir cada passo, cada fase, mas terão momentos que estarão sozinhos e terão que fazer por eles sem a nossa supervisão e é por isso que estou em casa com eles agora, para dar o suporte e a confiança que eles precisam para quando precisarem voar que façam com as suas asas.

Bom, nem preciso dizer que Matteo dormiu durante a aula de ballet da Anita e quando cheguei na clínica para fazer o procedimento ele acordou… Tive que remarcar para outro dia, pois não teria como deixar os dois sozinhos e entrar na sala. Mas tudo bem, nessa altura eu já havia previsto que provavelmente não ia rolar e fomos nos divertir juntos no shopping… Sabe, fico sempre pensando nas mães com 3 ou com 4 filhos e sem ninguém mais ajudar, pois uma coisa é estar perto da família com avós e tios que podem ajudar a cuidar e outra é estar do outro lado do mundo só tu e as crianças… Gente, essas mães são muito heroínas ou “Macgyver”?!! Acho que além da paciência e resiliência que a gente adquire ao ser mãe (principalmente com mais de um filho, pois o trabalho não dobra com dois filhos, ele aumenta exponencialmente), a gente aprende também a ser a “Frozen”, “let it go”!! Os xiliques e o caos sempre vão existir, e o quanto mais aprendermos a contornar esses eventos com calma e paciência, maia rápido eles se extinguem. Parar de planejar, controlar e fazer tudo do meu jeito vem sendo o meu maior desafio maternal e grande aprendizado!

E você? Como se sente quando o barraco se instala e as coisas saem do seu controle?

Grande abraço a todos e beijo no coração de cada mãe!!

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